Hamilton Rodrigo Araújo Freire de Andrade responde carta de amigo aqui chamado apenas de Estrangeiro Fantasma…

Caro Estrangeiro Fantasma,

Começo a minha “refutação” citando uma frase sua
própria da última mensagem: “a alienção intelectual
que aprisiona nossos irmãos no desconhecimento mórbido
de suas possibilidades”. Atente ao problema de que
você quer libertar pela força (e eu entendo a tua
revolta). Só que pra isso você acaba forçando as
pessoas a uma alienação de outra natureza e ainda mais
perigosa. A libertação intelectual, por mais difícil
que seja, e por mais que ela não possa existir sem uma
consequente revolução através da força (por exemplo, a
Revolução Francesa, conseqüência direta do Iluminismo)
é a única que pode levar a um Estado ideal (ou o mais
parecido com isso a que possamos chegar) caso
contrário, sim, ainda haverá pessoas, até no extremo
da miséria, sentindo falta dos regimes antigos, isso
é, dos distantes e divinizados Pais de Paletó. A
precipitação é perigosa. Quanto ao que falamos antes,
de verdade eu acho que tanto os extremistas islâmicos
quanto os estadunidenses estão errados, porque ambos
cometem injustiças: sim, o americano comum, homem do
povo, quando mata um comunista ou um muçulmano acha
que está fazendo um bem a humanidade; sim, o homem
comum do islã acha que somente os Estados Unidos são
responsáveis pela sua miséria. Ambos têm a certeza de
que estão certos, mas ambos estão cegos, e embora essa
cegueira os ponha de lados opostos, é de verdade da
mesma natureza. Quando um homem se propõe, e em última
análise é o que você faz (nunca me esquece a frase de
Gabriel: Isso não é uma Democracia!), a pensar pelos
outros, ele tem que saber que perigos ele corre e que
perigo faz os outros correrem. Se quiser responder a
isso responda sim, mas por favor não com argumentos
retóricos ou sentimentais. Isso não funciona mais
comigo. Temos que sentir o sofrimento do povo como se
fosse nosso (e é nosso) mas a paixão nunca foi um bom
conselheiro. Do teu amigo, e por ser amigo é que eu
sou tão rígido,

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